terça-feira, 19 de setembro de 2017

A Mágica de Tio Tony


Fui surpreendido hoje com mais uma triste notícia, parece que ultimamente só volto a escrever quando um dos heróis da minha infância morre. Hoje foi a vez do mágico Tio Tony. Todos da minha geração que moraram em Porto Alegre/RS sabem quem ele foi, pois ele encheu a nossas vidas com magia e diversão.
Quem me conhece sabe do meu amor pela mágica, sendo eu mesmo um mágico amador, quem despertou essa paixão em mim foi o Tio Tony. No seu programa de TV da então Rede Guaíba, ficava encantado com seus truques de mágica, e não demorou muito para começar eu mesmo a fazer mágica para meus amigos, isso lá pelos meus 9 anos (mais de 30 anos há trás!). De lá pra cá só me aproximei mais da mágica, toda semana aparecia na lojinha dele ali no viaduto Otavio Rocha, pra comprar um truque novo, ou pra mostrar como eu estava fazendo o truque, foi lá que comprei minha primeira caixa de magicas, algumas tenho até hoje.
Nunca vou esquecer do meu primeiro FENAMAC - Festival Nacional de Mágicas de Camaquã - em idos de 1995, onde o Tio Tony me ensinou meu primeiro truque com moedas "O Passe Torniquete", foi nesse encontro que ele se referiu a mim como um colega mágico, um dos momentos de maior orgulho da minha vida.
Agora a cena da mágica no Rio Grande do Sul e no Brasil fica mais triste, não teremos mais o Tony pra nos organizar em seu "Salão Mágico", espero que seu legado continue, e que os encontros continuem, ele pode ter nos deixado, mas sua mágica estará para sempre conosco.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Morreu o Batman da minha infância



Adam West não foi o primeiro ator a interpretar o Batman nas telas, ele foi precedido por Lewis G Wilson em 1943 e por Robert Lowrey em 1949, mas com certeza ele interpretou uma das mais memoráveis encarnações do Homem-morcego.

Batizado como William West Anderson, foi já com seu nome artístico que Adam West vestiu pela primeira vez o manto do morcego em 1966, permanecendo no ar por 120 episódios até 1968. Muitos que vejam a serie hoje em dia podem classifica-la como tola, ou cômica, praticamente uma paródia do Batman que conhecemos e amamos. No entanto, essa é uma visão limitada, a série era muito próxima dos quadrinhos de sua época, quando essa mídia era focada mais no público infantil que no juvenil e adulto. Eram tempos de "Bangs" e "Splashs" estourando na tela da TV, uma primitiva alusão às onomatopeias dos quadrinhos, uma época mais inocente.

Apesar de ter ido ao ar por apenas 3 anos, foi provavelmente a série de super-heróis mais reprisada da história da TV, crianças da década de 60, 70, 80 e até inicios dos anos 90 puderam ter a chance de vê-la em reprises infindáveis no SBT. Sem falar do fato da série ter sido responsáveis por um dos maiores virais da internet brazuca, o infame "Feira da Fruta", que já rendeu até livro.

Adam West sofreu com a marca do Batman, tendo tido enormes dificuldades para conseguir outros papeis na TV. Chegou a fazer o Delegado da série de TV do Loucademia de Policia, que aqui era chamada Deloucacia de Policia, série que tem um icônico episódio onde ao final o personagem de Adam se vira para a câmera, quebrando a quarta parede, e diz: "Espero que tenham gostado do episódio de hoje, nos vemos semana quem vem, nesse mesmo bat-horário e nesse mesmo bat-canal", numa alusão aos finais narrados do seriado do Batman que o tornara famoso.

Hoje lamento a morte do Batman da minha infância, do Batman que me fez conhecer o conceito de super-herói, do Batman que me apresentou para o universo DC, onde só fui descobrir o mundo dos quadrinhos muitos anos mais tarde, mas Batman continua  sendo um de meus personagens favoritos, por isso obrigado Adam.

segunda-feira, 12 de junho de 2017

INVERSÃO DE VALORES?


Analisem a imagem acima. Aparentemente está bem fácil de concordar, claro com a informação colocada dessa maneira quem em sã consciência poderia discordar, não é mesmo? Porém ai justamente esta o erro. Será mesmo que é uma inversão de valores?
Vendo a imagem acima esta nítido uma comparação entre os dois atos, de forma que eles teriam, pelo menos, o mesmo peso e é questionado por que se aceita um e não se aceita o outro. Ai eu pergunto a vocês, um ladrão, um criminoso, um meliante, perpetrar um ato de covardia e violência parece pra vocês algo impensável? Parece algo fora do comum? Vejam bem, não estou levando em conta se o ato criminoso é algo comum ou não, sei que nos dias de hoje a criminalidade anda solta e somos a toda hora vítimas de tais ações. Porem imaginem que não vivêssemos em um momento de extrema violência em que estamos, que as ruas fossem mais seguras e os assaltos mais escaços. Nessas condições um criminoso ser violento com sua vítima ao roubar todos os seus pertences, seria algo inesperado? Pra mim parece que não, poderíamos questionar, repreender, exigir justiça, mas atos nefastos vindos de uma pessoa nefasta não são nenhuma surpresa.
No entanto, quando dois trabalhadores, quando dois cidadãos de bem, se rebaixam a barbárie e a tortura, sim isso é digno de nota, e sim isso deve nos preocupar muito. Pois demonstra que a sociedade de bem está contaminada pela violência da qual ela é vítima. Não podemos deixar isso acontecer, temos de nos defender, de lutar por nossos direitos, mas não podemos nunca nos deixar levar pelo argumento fácil da lei de Talião.
Nossos princípios tem de ser mais fortes que as agruras do mundo, não podemos deixar que as dificuldades e obstáculos que enfrentamos no mundo de hoje maculem nossa alma, temos de lutar pela igualdade, fraternidade e liberdade, sem nos rebaixarmos ao nível dos criminosos, numa sociedade onde se segue  a lei do "olho por olho, dente por dente", todos acabam cegos e banguelas.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Desarmamento


Sério mesmo que o caras tão comparando o segurança do Presidente do pais mais odiado pelos grupos terroristas, com a do cidadão comum? Tipo "se o presidente pode ter um monte de seguranças armados, por que eu não posso ter um revolver?" é isso mesmo.

E o pior é que quem posta essas idiotices no face nem se da ao trabalho de se informar sobre o caso, nem se trata de um desarmamento, o que querem fazer nos EUA é que as leis para venda de armas sejam mais rígidas e mais controladas. Para que pessoas desequilibradas e de reputação duvidosa não tenham acesso fácil a elas.

Alias como fizeram aqui no Brasil, tem gente que ainda diz que não é possível comprar uma arma no Brasil. que "O governo desarmou o povo e deixa os bandidos correrem livres". Isso é mentira, é perfeitamente possível e legal adquirir uma arma de fogo, mas existe uma grande burocracia para isso, tão grande quanto pra ter uma CNH por exemplo, e eu acho isso ótimo, afinal armas são bem mais perigosas que carros (bom nas mão de certos motoristas ele até se equivalem, mas isso é discussão pra outro post).

Mas ai alguém vai argumentar "isso é pra ter uma arma em casa não pra portar". Sim é verdade para poder andar por ai com uma arma a legislação é ainda mais rigorosa, e novamente eu continua achando isso ótimo. Só imaginem como teria sido as manifestações que aconteceram em 2014 se os Black Blocks tivessem acesso a armas de fogo!

Você quer ter uma arma de fogo? Prove que é equilibrado e capaz de lidar com uma. Você quer carregar uma arma de fogo? Prove por que precisa disso. E não me venham com o argumento de que se o governo não da segurança temos que nos armar, não é assim que a banda toca. Se o governo não está dando segurança, se o dinheiro está sendo desviado em grandes esquemas de corrupção, não é entregando um monte de armas pra pessoas - despreparadas e emocionalmente desequilibradas pelos fatores que acabei de citar - que vamos resolver o problema. Muito pelo contrário, isso só vai deixar tudo pior...

Preconceito e Pré-conceito

O preconceito faz parte de nossa natureza. Nossa evolução biológica nos ensinou a temer e desconfiar do diferente, do estranho ao nosso cotidiano. Todos temos isso, fingir que isso não existe e tão inútil quanto estúpido.
O que não significa que devamos dar vazão a essas emoções. A grande diferença entre nós e os outros animais é nossa razão, nova consciência, a capacidade que temos de sobrepujar nossos instintos em favor da civilidade.
Mais de uma vez eu atravessei a rua a noite quando um "negro mal encarado" vinha na minha direção. Hoje me envergonho disso, e atravesso a rua para qualquer indivíduo "mal encarado", independente de sua etnia. Seria isso preconceito contra os mal encarados? Talvez.
Mas por que agimos assim? Existe uma maneira de mudarmos essas sensações instintivas? Sim existe. Como disse essas reações vem de nossa programação biológica para desconfiar do que é diferente. Para que não reajamos dessa maneira, temos de nos expor a pessoas diferentes, de cor diferente, de religião deferente, de sexualidade diferente, até que passemos a sentir que essas pessoas fazem parte de nossa realidade. Porque elas fazem!
Esse é o principal motivo para eu ficar furioso quando "Bolsomitos" da vida defendem que nossas crianças sejam "protegidas" do homossexualismo. Sim, que ideia "brilhante". Sem comentar os problemas que isso criaria na cabeça de um futuro adolescente homossexual, essa postura só contribuiria para o reforço do preconceito, porque os homossexuais não vão deixar de existir e, mais sedo ou mais tarde, nossas crianças vão se deparar com um. Não seria melhor ensinarmos elas que isso é algo normal?
Não consigo imaginar alguém defendendo que nossas crianças sejam "protegidas" da exposição a outras raças. Mas sei que isso existe, só não é um discurso tão popular, assim como o discurso de que essa ou aquela religião é uma agressão a minha religião. 
Apenas conservadores ignorantes mantém discursos veladamente segregacionistas as raças, alguns nem tão velados assim eu sei, mas isso porque já ficou universalmente implícito que racismo é feio. Estamos longe, é claro, de vencer essa luta, mas muitas conquistas foram feitas. Em outros tipos de preconceito, como no caso dos homossexuais, essa luta está muito mais atrasada e precisa ser intensificada.
Temos de manter a vigilância e lutar diariamente contra nossos preconceitos, a fim de não passá-los para as próximas gerações, e combater toda e qualquer figura pública que pregue o contrário. Esse deve ser o compromisso de cada um, todos os dias.

Polarização de ideias

 

A imagem acima diz tudo. Nos dias de hoje parece que somos obrigados a escolher um lado, a ter uma opinião, não podes responder "não sei", "não li nada a respeito". O pior é que tudo isso é falso, os seres politizadíssimos de plantão que sempre tem uma opinião sobre qualquer assunto polêmico e a defendem com unhas e dentes, muitas vezes nem sabem sobre o que estão falando, estão apenas repetindo ideias e conceitos (e preconceitos) que alguém lhes disse, como bonecos de ventríloquo.
Os maravilhosos algorítimos de analise usados por sites como o Google e o Facebook, que verificam o nosso comportamento online, percebendo nossos gostos e preferências, para então nos ajudar a achar coisas com as quais nos identificamos, queremos, ou gostamos, acabaram criando bolhas de amortecimento intelectual, onde só encontramos opiniões como a nossa, pessoas que pensam como nós, etc. Veja bem, não estou dizendo que esses sistemas são ruins, eles não são, sem dúvida nenhuma no labirinto de zilhões de informações que é a internet, eles tornam nossa existência virtual muito mais fácil.
Mas essa facilidade vem com um preço, que começo a considerar caro demais, nossas ideias, nosso intelecto, não é mais desafiado por coisas novas, por pensamentos divergentes, somos sempre agraciados por coisas com as quais concordamos. E, nas raras ocasiões em que uma opinião divergente aparece, caímos matando em cima, rompendo amizades, agredindo familiares, tudo por que um era petralha e o outro coxinha, um era homofóbico e o outro bicha, um era ateu e o outro crente, uma era machista e o outro feminazi, ou a maior de todas as polêmicas, uma chama de bolacha e o outro de biscoito.
Parece que a nova geração perdeu a capacidade de conciliar, de aceitar que existem opiniões diferentes da sua, e essa atitude, agora que pais e avos entram cada vez mais nas redes sociais, começa a infectar as gerações anteriores também. Essa atitude de "ou você está do meu lado, ou está contra mim" muito "Sith" pro meu gosto, e eu não pretendo ir para o lado negro. Temo que num futuro próximo iremos nos isolar em nossas bolhas de conforto e pararmos de nos expor a coisas novas e diferentes, nos tornando cada vez mais ignorantes ao mundo a nossa volta. 

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

As Sombras do Cosmos

Estou lendo o livro ORIGENS (publicado pela Editora Planeta), de Neil de Grasse Tyson e Donald Goldsmith, quando uma passagem do prefácio me levou a uma reflexão. Quero dividi-la com vocês.

Na passagem eles sitam o Mito da Caverna de Platão, onde este comparava a busca do conhecimento a homens acorrentados numa caverna com as costas viradas para a entrada e incapazes de se virar. Eles tinham de adivinhar o mundo pelas sombras que se projetavam a sua frente pela luz da entrada. Platão fez nesse texto uma excelente metáfora para o quão vasto é o conhecimento, e o quão frustrante pode ser a vida de quem o persegue.

Foi ai que comecei a pensar nas últimas descobertas da astrofísica. Como o advento da espectrometria, décadas atrás, que tornou possível saber a composição química das estrelas, basicamente olhando as linhas de escuridão do espectro cromático de sua luz. Essas linhas escuras eram nada mais que a sombra dos elétrons dos elementos químicos que compõe a estrela.

Ou também nos cientistas que caçam planetas, e nos mais de 500 planetas já encontrados simplesmente observando as estrelas e esperando que possíveis corpos celestes orbitando ela passem em sua frente, para que eles vejam a sua sombra...

Imaginem agora as fantásticas descobertas da astronomia e da astrofísica nos últimos 20 anos. Tudo o que foi conquistado, todo o conhecimento adquirido. E tudo isso apenas observando as sombras no fundo da caverna. Imaginem o que iremos descobrir quando conseguirmos romper as correntes e nos virarmos em direção ao cosmos pela primeira vez...