quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

As Sombras do Cosmos

Estou lendo o livro ORIGENS (publicado pela Editora Planeta), de Neil de Grasse Tyson e Donald Goldsmith, quando uma passagem do prefácio me levou a uma reflexão. Quero dividi-la com vocês.

Na passagem eles sitam o Mito da Caverna de Platão, onde este comparava a busca do conhecimento a homens acorrentados numa caverna com as costas viradas para a entrada e incapazes de se virar. Eles tinham de adivinhar o mundo pelas sombras que se projetavam a sua frente pela luz da entrada. Platão fez nesse texto uma excelente metáfora para o quão vasto é o conhecimento, e o quão frustrante pode ser a vida de quem o persegue.

Foi ai que comecei a pensar nas últimas descobertas da astrofísica. Como o advento da espectrometria, décadas atrás, que tornou possível saber a composição química das estrelas, basicamente olhando as linhas de escuridão do espectro cromático de sua luz. Essas linhas escuras eram nada mais que a sombra dos elétrons dos elementos químicos que compõe a estrela.

Ou também nos cientistas que caçam planetas, e nos mais de 500 planetas já encontrados simplesmente observando as estrelas e esperando que possíveis corpos celestes orbitando ela passem em sua frente, para que eles vejam a sua sombra...

Imaginem agora as fantásticas descobertas da astronomia e da astrofísica nos últimos 20 anos. Tudo o que foi conquistado, todo o conhecimento adquirido. E tudo isso apenas observando as sombras no fundo da caverna. Imaginem o que iremos descobrir quando conseguirmos romper as correntes e nos virarmos em direção ao cosmos pela primeira vez...

3 comentários:

  1. Muito oportuno. Ainda isto: diante de acreanos a serem desvendados, estamos ainda com os pés na praia.

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