sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Polarização de ideias

 

A imagem acima diz tudo. Nos dias de hoje parece que somos obrigados a escolher um lado, a ter uma opinião, não podes responder "não sei", "não li nada a respeito". O pior é que tudo isso é falso, os seres politizadíssimos de plantão que sempre tem uma opinião sobre qualquer assunto polêmico e a defendem com unhas e dentes, muitas vezes nem sabem sobre o que estão falando, estão apenas repetindo ideias e conceitos (e preconceitos) que alguém lhes disse, como bonecos de ventríloquo.
Os maravilhosos algorítimos de analise usados por sites como o Google e o Facebook, que verificam o nosso comportamento online, percebendo nossos gostos e preferências, para então nos ajudar a achar coisas com as quais nos identificamos, queremos, ou gostamos, acabaram criando bolhas de amortecimento intelectual, onde só encontramos opiniões como a nossa, pessoas que pensam como nós, etc. Veja bem, não estou dizendo que esses sistemas são ruins, eles não são, sem dúvida nenhuma no labirinto de zilhões de informações que é a internet, eles tornam nossa existência virtual muito mais fácil.
Mas essa facilidade vem com um preço, que começo a considerar caro demais, nossas ideias, nosso intelecto, não é mais desafiado por coisas novas, por pensamentos divergentes, somos sempre agraciados por coisas com as quais concordamos. E, nas raras ocasiões em que uma opinião divergente aparece, caímos matando em cima, rompendo amizades, agredindo familiares, tudo por que um era petralha e o outro coxinha, um era homofóbico e o outro bicha, um era ateu e o outro crente, uma era machista e o outro feminazi, ou a maior de todas as polêmicas, uma chama de bolacha e o outro de biscoito.
Parece que a nova geração perdeu a capacidade de conciliar, de aceitar que existem opiniões diferentes da sua, e essa atitude, agora que pais e avos entram cada vez mais nas redes sociais, começa a infectar as gerações anteriores também. Essa atitude de "ou você está do meu lado, ou está contra mim" muito "Sith" pro meu gosto, e eu não pretendo ir para o lado negro. Temo que num futuro próximo iremos nos isolar em nossas bolhas de conforto e pararmos de nos expor a coisas novas e diferentes, nos tornando cada vez mais ignorantes ao mundo a nossa volta. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário